Elefantes, condutores e as mudanças que temos que fazer na vida

por Gustavo Campos, em pensadormercadologico.com

Recentemente chegou até a consultoria um caso interessante. Não vou detalhar a série de problemas e suas relações, mas o principal sintoma da “doença” instalada era que já haviam mais de 20 meses de queda consecutiva de vendas. A empresa estava na UTI, paralisada, tendo seus recursos consumidos a cada dia que passava. Eles queriam mudar, mas faltavam-lhes a fé que isso era possível. Certamente a situação causava muita dor na equipe de gestão e direção, e o medo de entrar em um processo de mudança de grande magnitude fazia com que esta dor ficasse insuportável. Muitas vezes, acontecem processos semelhantes com as pessoas. Elas levam a sua vida de forma tão mal pensada e até mesmo mal estruturada, que chegam a ancorar a sua felicidade, plenitude e realizações a eventos externos ou a outras pessoas. “Se ‘isso’ acontecesse eu seria feliz / me realizaria”, costumam dizer. Delegam parte ou toda a sua vida para condições que não possuem controle. Esta falta de sentido de realização, quando se eleva, faz com que a pessoa entre em uma crise, que pode ocasionar algo mais grave, como uma doença mental (transtornos de ansiedade, transtornos de humor (depressão), transtornos de comportamentos, entre outros tantos). Saibam que hoje estas doenças mentais são a principal causa de incapacitação de crianças, bem a frente de deficiências como a paralisia cerebral ou a síndrome de Down.

Tanto as empresas como as pessoas, adoecem por perderem o rumo de suas vidas. Se soubessem o resultado final desta jornada que os levou ao “muro” não teriam tomado tais decisões no passado. Muitas vezes, tentaram mudar suas vidas e rumos mas não alcançaram os resultados esperados. E isso fez com que novas iniciativas de mudança fossem sendo boicotadas pelos colegas de setor ou pela própria pessoa, que começou a perder a fé em si mesma e na mudança possível. Isso tudo forma uma crença que com a repetição das evidências (falta de resultado, por exemplo), começa a se tornar um paradigma, um sistema de “verdades” e de maneiras de entender as situações. E estes paradigmas, que são os óculos que enxergamos o mundo, começam a gerar frases como as abaixo, sendo ditas pelas pessoas, para explicar determinados comportamentos e falhas:
Isso já foi tentado antesEsse seu gás não vai durar muito tempo. Você vai aprender como as coisas aqui funcionam”Aqui as coisas só funcionam de um jeito. O jeito que sempre foi feito”Para que inventar?Estas crenças manifestadas em sábias frases de ‘observadores do status quo’, muitas vezes até se transformam em ditados populares, podem não estar erradas, mas para um propósito de mudança definitivo, é melhor que se conheça a fundo estes paradigmas que podem congelar qualquer passo em direção a uma nova maneira de se fazer e enxergar as coisas.
Já comentei no post “Sua vida está suspirando para você agora. O que ela está dizendo?“  sobre os elefantes e os condutores. Então, saibam que para aumentar as nossas chances de sucesso em qualquer movimento de mudança, nós temos que realizar 3 procedimentos simultâneos, sendo eles:
Orientar o condutor (parte mais racional e planejadora de nosso cérebro)Motivar o elefante (parte mais emotiva do nosso cérebro)Preparar o caminho

Se apenas focarmos em ter o condutor orientado, teremos uma empresa com um amplo entendimento só que sem motivação para continuar na jornada. Se nos preocuparmos em apenas motivar o elefante, teremos uma empresa com paixão mas sem direção. Por isso, temos que executar os 3 procedimentos simultaneamente. Ao orientar o condutor e motivar o elefante, não podemos esquecer de preparar o caminho, nosso terceiro procedimento. Se o nosso condutor, racional e planejador, conseguiu estabelecer o ponto futuro para irmos e o nosso elefante está completamente motivado para prosseguir nesta direção, temos que nos preocupar com o caminho. Facilitar as operações, dar orientações claras, simples e precisas do que deve ser feito e acompanhar os resultados que estão sendo obtidos.
Saliento apenas que o elefante busca recompensa imediata. Isto é o oposto do ponto forte do condutor, que é a habilidade de pensar no longo prazo, planejar e ir além do momento presente. Se os primeiros resultados demorarem a aparecer ou não se sustentarem no tempo, o elefante irá solicitar mudança de rota. Ele quer a recompensa e não quer mais sofrer e não alcançar a gratificação. É geralmente neste ponto que as empresas (e qualquer processo de mudança) param e desistem, achando que os resultados foram muito poucos e não permanentes. Rapidamente acham pessoas para serem responsáveis por esta resistência e mal desempenho. Daí contam uma explicação para os fatos que alivia a culpa de não se esforçar mais e desistem.
Mas lembre-se: O que parece ser um problema com pessoas é, em geral, um problema com a situação. O que parece preguiça, em geral, é exaustão. Diversos estudos comprovam que o autocontrole exigido do condutor em seguir por um caminho que o elefante não se motiva mais é um recurso esgotável. Acabando este recurso, o elefante logo busca uma outra recompensa de forma imediata. Para realmente mudar, precisamos da motivação e energia do elefante a nosso favor.
Então, o que fazer se os resultados não se manterem no tempo e comprometerem a motivação e alinhamento do elefante?
Pare imediatamente para não comprometer todo o recurso disponível do autocontrole exigido para manter o elefante andando. Desta forma, ainda teremos condições de realinhar o projeto e continuar na mesma rota.Imediatamente coloque o condutor em ação e com sua capacidade analítica, identifique as mudanças de cenários já ocorridas. Muitos pontos devem ter sido alterados desde que começamos a nos mover e isso talvez nos mostrou outras coisas que nós não víamos antes, bem como pode ter desencadeado reações novas nos concorrentes. Definir um novo e claro alvo se faz necessário.Resgatar os fatores que motivaram o elefante a andar no passado e os reconstruir frente a este novo cenário e norte dado. Verificar motivadores pela dor (“Se eu não fizer mais nada o que eu perderei?”) e os motivadores pelo prazer (“Se eu atingir os resultados o que ganharei?”). Deixar todos estes pontos bem visíveis para o elefante.Preparar o caminho, simplificando eventuais rotinas e ações. Durante a caminhada devemos realizar atividades bem definidas, mais simples possíveis de serem avaliadas e mensuradas.Por fim, mesmo que você desejar sair do ponto A, seu ponto de origem, e ir em direção ao ponto B, sua meta e destino final, escreva planos parciais ou seja:Do ponto A para o ponto A’. Do ponto A’ para o ponto A”. Do ponto A” para o ponto B.
Desta forma, conseguiremos alcançar o ponto B mas reduziremos o uso do autocontrole necessário para longas jornadas sem benefícios intermediários. Também, desta forma de “tiros menores”, aumentamos a chance de o elefante obter recompensas de forma mais intensa e frequente.
Enfim, o assunto é complexo, mas com este post algumas dicas podem ser rapidamente utilizadas no seu dia aumentando as chances de suas mudanças serem duradouras e de sucesso.

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