Fidelidade a um Propósito que Valha a Pena

por José Davi Furlan em bpmglobaltrends.com.br

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Quando os colaboradores fazem trabalhos muito especializados e focados funcionalmente é difícil ver o todo, então precisam se conectar ao propósito maior da organização para dar sentido ao que fazem. Ser pago para assentar tijolos é diferente de ser pago para assentar tijolos com a intenção de erguer a catedral mais bonita do país. Se o propósito for inspirador, seguirão orgulhosos e felizes por fazer parte da equipe. Em uma visita à NASA, John Kennedy cruzou com um faxineiro e perguntou-lhe: “que trabalho faz aqui?” E o faxineiro respondeu, “estou ajudando a colocar o homem na Lua”. Mesmo realizando uma tarefa simples, era assim que se via como parte de um empreendimento maior.

Perceber que o trabalho realizado tem um impacto positivo está intimamente conectado a experimentar emoções positivas. Essas emoções servem para confirmar que se está no caminho certo e que deve ser mantido porque faz bem. As pessoas querem sentir que geram valor e não apenas qualquer coisa desconectada e sem sentido que apenas sirva para justificar um salário e levá-las à depressão. Quando se sente que faz a diferença o foco passa a ser o sucesso e não a possibilidade do fracasso, motiva-se a si próprio e os demais– mesmo na ocorrência de fracassos há menor efeito negativo sobre o moral. Pensamentos e discussões tornam-se orientados ao futuro com uso de linguagem positiva em torno de objetivos e metas.

O desejo pelo significado no que faz é intrínseco ao ser humano, um sentimento que o acompanha ao longo da vida diferentemente de outros seres vivos no planeta que vivem da única forma que podem viver e cujo propósito se limita a perpetuar a vida. O homem, embora também carregue o propósito essencial de perpetuação da vida, questiona sua existência e quer entendê-la. Encontrar um significado para o que faz é contribuidor-chave para a saúde psicológica e um indicador de que é parte de algo maior. Embora tal propósito em plano individual possa não fazer qualquer diferença no meio em que habita, para o indivíduo resulta em menos depressão e doenças e mais disposição para a vida.

O ser humano precisa buscar um significado que transcenda sua existência, em seu íntimo deseja fazer alguma diferença no mundo e deixar um legado

As pessoas buscam um propósito claro e muitas não encontram. Mesmo assim, tentam formas de adicionar algum valor para tornar o mundo um lugar melhor para si e para os demais. As que mais inspiram são aquelas que fazem o que está ao seu alcance para enriquecer a vida de outros e quase nada para si. Acabam sendo as que mais se beneficiam com essa atitude, pois longevidade, rejuvenescimento e regeneração estão intimamente conectados a ajudar pessoas. Nisso se incluem os trabalhadores humildes que dedicam a vida lutando para dar aos filhos a educação, a saúde, o conforto e as oportunidades que eles próprios nunca tiveram e, possivelmente, nunca terão. São felizes, de bem com a vida e sempre com sorriso no rosto. Nada lhes parece impossível. Podem não pensar a respeito, mas estão realizando um propósito de vida que os torna felizes. Assim que se sabe para onde ir fica mais claro por onde ir. Felicidade não é resultado da autogratificação, mas da fidelidade a um propósito que valha a pena.

A vida é pateticamente curta e a saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber até perdê-la. A enfermeira australiana Bronnie Ware passou anos trabalhando com cuidados paliativos de pacientes em seus últimos meses de vida e pôde observar como expressavam seus desejos e arrependimentos com lucidez nessa condição. Em seu livro “The Top Five Regrets of the Dying – A Life Transformed by the Dearly Departing” escreveu sobre os cinco arrependimentos mais comuns das pessoas antes de morrerem. O arrependimento mais comum era de os pacientes não terem vivido a vida que queriam, mas a vida que os outros esperavam que vivessem. Quando se davam conta que a vida estava no fim e refletiam sobre o que fizeram ficava claro o que não realizaram. Muitos não realizaram nem metade dos seus sonhos e tinham de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomaram ou deixaram de tomar. Os demais quatro arrependimentos eram: deveria ter trabalhado menos, ter tido mais coragem de expressar os sentimentos, ter estado mais perto de amigos, e ter sido mais feliz. Esses cinco arrependimentos podem ser consolidados em dois desejos fundamentais dos seres humanos: a) usufruir a vida em plenitude e b) estar em harmonia consigo e com os demais.

Se as pessoas não tomam cuidado, suas vidas passam a ser ditadas por modelos que parecem convincentes em algum nível, mas que são apenas mitos e ilusões. Tornam-se indisciplinadas na busca por mais preenchendo a vida com muitas coisas, mas que no final não se converte em coisa alguma.

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