Seja simples na sua comunicação

por Claudio Quartaroli, em http://quartaroli.wordpress.com/2010/10/07/seja-simples-na-sua-comunicacao/

Um dos males comunicacionais que mais assolam os locais de labor cotidiano é a falácia da expressão culta e estéticamente elegante que contribui para o impedimento da cognição ao favorecer o não entendimento interpretativo humano.

Calma! Eu traduzo.

Tentar falar dificil ou “bonito” é uma das maiores falhas de comunicação no local de trabalho.

Qual das duas afirmações foi mais fácil de entender? A segunda , óbvio.

O problema é que nas empresas exemplos como esse pipocam aos montes por todos os lados, principalmente em quadros de aviso, comunicados internos ou memorandos.

Diquinha simples: Seja simples. Simplesmente simples. Apenas simples e nada mais.

Quanto mais voltas, piruetas e cambalhotas você der na hora de se expressar, mais acrobacias o cérebro do seu ouvinte (ou leitor) terá de fazer para entender. E o que você busca ao se comunicar profissionalmente é ser o mais claro e objetivo possivel e plenamente entendido pelo seu público.

Um exemplo muito recente é o aviso do TSE na televisão a respeito da documentação necessária para a eleição. Não bastasse toda a confusão feita para definir um assunto tão importante a poucos dias do pleito, na hora em que foram anunciar a tal decisão Pimba! Lá vão eles querer falar difícil, e o que saiu foi esta pérola:

O eleitor não será impedido de votar se levar apenas o documento oficial com foto para sua seção eleitoral no domingo dia 3.

Pra que tudo isso? A menos que esse aviso tenha algum outro objetivo do que o de informar a população, ele é um verdadeiro malabarismo gramatical. Eu tive de prestar atenção umas duas vezes pra ter certeza do que estava sendo dito.

Primeiro porque ele apresenta a dupla negativa “não será impedido” que é a mesma coisa que “será permitido”só que do avesso. (pra que facilitar né?)

Depois aparece “o documento oficial” ao invés de “um documento oficial”.

O  artigo “O” no começo da expressão subentende um documento especifico (mas não especificado na pérola publicitária)  o que acaba parecendo mais uma restrição do que uma possibilidade. (Qual é “o” documento oficial?)

E, por fim, a cereja do bolo “para sua seção eleitoral no domingo dia 3” Prolixidade disfarçada de exatidão elevada a enésima potência. Pra quê tudo isso? Que tal usar “no dia da eleição”, “para votar”, “no local de votação” e assim por diante?

Na hora de se comunicar seja simples.

Evite Ordem indireta: O livro será buscado pelo livreiro.

Prefira: O livreiro buscará o livro.

Evite dupla negativa: Não é proibido fumar neste local.

Prefira: É permitido fumar neste local

Evite prolixidade: argumentação amistosa em torno de idéias comuns

Prefira: bate papo entre amigos.

Use sempre uma versão afirmativa, é mais fácil para o cérebro entender.

O mais interessante e, cá entre nós, que muito fermentou minha teoria conspiratória a respeito do dito anúncio, seu conteúdo gramatical e a quê ele realmente se destina (escrevi dificil mesmo, confusão proposital) é que fui visitar o site do TSE para ver se conseguia descobrir algo mais sobre o assunto e ao chegar lá me deparo com isso:

O Eleitor poderá levar apenas documento com foto no dia da eleição.

Simples, afirmativo, direto, inteligível, honesto.

(Mas só pra quem tem acesso a internet)

Conecte-se.

Bjs, abs e piparotes!

E se mesmo depois desse post você ainda quiser falar difícil, ficam algumas sugestões bem interessantes abaixo. Divirta-se.

1- Prosopopéia flácida para acalentar bovinos

(Conversa mole pra boi dormir)

2 – Colóquio sonolento para gado bovino repousar

(História pra boi dormir)

3 – Romper a face

(Quebrar a cara)

4 – Creditar o primata

(Pagar o mico)

5 – Inflar o volume da bolsa escrotal

(Encher o saco)

6 – Derrubar, com a extremidade do membro inferior, o suporte sustentáculo de uma das unidades de

acampamento

(Chutar o pau da barraca)

7 – Deglutir o batráquio

(Engolir o sapo)

8 – Derrubar com intenções mortais

(Cair matando)

9 – Aplicar a contravenção do Dr. João,deficiente físico de um dos membros superiores.

(Dar uma de João sem braço)

10 – Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira.

(Nem a pau)

11 – Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais.

(Nem que a vaca tussa)

12 – Derramar água pelo chão através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente.

(Chutar o balde)

13 – Retirar o filhote de equino da perturbação pluviométrica.

(Tirar o cavalinho da chuva)

14 – Bucéfalo de oferendas não perquiris formação odôntica!

(Cavalo dado não se olha os dentes!)

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