Recursos não tão humanos

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O departamento de Recursos Humanos qualifica-se como o maior prestador de serviços internos em uma empresa. Mas será que ele conhece bem as necessidades da organização?

Difícil de entender a guerra no Rio de Janeiro. Medo de visitar Israel? E o Rio? Estou preocupado com as mudanças climáticas. Não entendo bem, também. Mas tem coisa pior. Muito pior para mim é o que se passa na cabeça e nas atitudes de vários profissionais de RH.

A regra de ouro que hoje impera na área comercial é: “Pare de tentar conseguir o que você quer. Ajude as pessoas a conseguir o que elas querem”. O atendimento ideal advém desta consciência, vez que o propósito primeiro da venda é ajudar o cliente a adquirir um ótimo produto. Depois, como consequência, vem todo o resto, inclusive ganhar dinheiro. Isto é conhecimento a ser exportado para todas as áreas da empresa.

Atualmente o conceito de prestação de serviços atinge todo o público interno em termos de marketing – com ações de endomarketing e comunicação, buscando os mais altos índices de informação dentro da companhia –, e outros setores. No entanto, pensemos. Qual é o departamento da empresa que pode e deve ser qualificado como “o maior prestador de serviços internos”? Só há uma única e inequívoca resposta. É o RH.

Supõe-se – e sonha-se com – um RH consciente das maiores e mais prementes necessidades de todos. Após a consciência vem a capacidade para agir. Não seria ótimo?

Um dos conceitos mais atuais é o RH Estratégico – aquele que cuida das pessoas e de suas necessidades sem tirar os olhos dos negócios. RH é sinônimo de atendimento às reais necessidades de tudo e de todos, com vistas aos resultados buscados pela empresa. A visão do RH deve ser sistêmica.  Todavia, a ausência desse status é outra coisa, entre tantas, difícil de entender. Escute as minhas razões e depois julgue, por favor.

Promovo um evento cuja proposta é atender a uma séria deficiência que atinge especialmente os colaboradores da área comercial. Todo e qualquer indivíduo tem problemas quanto à defrontação de quem se senta do outro lado da mesa de negociação. Mesmo os mais experientes negociadores vêem-se numa expectativa que comprovadamente pode ser superada quando desenvolvem a capacidade de distinguir traços de personalidade imediatos e superficiais do opositor.

Por este caminho é possível adequar sua apresentação de ideias aos traços observados e, assim, obter respostas convergentes aos seus objetivos em menos tempo e com menor gasto de energia. As chances de sucesso aumentam muito sob tais condições.

Este era o verbal explorado pela profissional de telemarketing que contatava os RH´s das empresas a quem já tínhamos enviado folders e e-mails informativos. Entre as respostas que ela ouvia, declarações como: “Desculpe, mas não temos interesse”, ou “O assunto não é o foco da nossa empresa”. Isso deixou-nos atônitos e preocupados. Ao ouvir as gravações, eu pensava: “Ó, Sócrates. Por quê não concluíste tua missão na terra dos vivos?”.

Por favor, eu lhe peço, nem pense que o RH da sua empresa não diria isso. Você apenas não sabe. Eu imagino que o cara que está lá é gente boa, sim. Mas já ouviu falar em “fogo amigo”? Por isso o meu mantra: “difícil de entender”. Saberá esse fulano definir o que é “o foco da nossa empresa”?

Não sei mais o que dizer. Culpa do sistema? Não. Nem todos estão neste nível de tolice.

Mas seja prudente. Certifique-se de quais “recursos” o seu RH tem cuidado! Vou repetir: certifique-se, isto é, avalie, diagnostique, analise. Só não se convença de nada sem que um especialista lhe garanta que o serviço existe e é, no mínimo, satisfatório. Até lá, abra os olhos porque a doença é grave!

Por Abraham Shapiro (Consultor. Seu e-mail é shapiro@shapiro.com.br)

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