Políticas de Governança em TI

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Renato Jesus*

Em suas palestras, você diz que não basta apenas as empresas “investirem em TI”, mas sim, “investirem em mudanças habilitadas em TI”.
É preciso entender que a TI é necessária, mas não suficiente, para gerar valor para a organização. Os ativos, serviços e soluções entregues pelo setor de TI precisam ser agregados a mudanças em processos e no próprio negócio, novos perfis e competências, que, em conjunto, criarão valor para a organização. Daí a a firmação de que você deve investir em mudanças habilitadas por TI.

Como avalia a adoção da “governança” nas empresas brasileiras?
A adoção de mecanismos de governança está crescendo gradativa e continuamente no Brasil, por diversas razões: Efeitos da globalização, onde o mercado aceita pagar mais por ações de empresas que adotem os princípios da Governança Corporativa, tal qual ocorre no “Novo Mercado” criado pela Bovespa. Processos regulatórios, como Basiléia e Sabanes-Oxley, que levam as empresas a adotarem melhores práticas de governança para assegurar a conformidade aos regulamentos. Evolução das melhores práticas internacionais e adoção destas pelos profissionais da área de TI, resultando em processos mais estruturados e mais alinhados ao negócio.

Muitas empresas só adotam políticas de governança quando chegam a uma situação limite?
Não se trata de situação limite, mas de sintomas que são apresentados pelas empresas que demonstram ausência de práticas de governança de TI, como por exemplo: Incapacidade de obter ou mensurar os benefícios dos investimentos habilitados por TI; Tecnologia inadequada ou obsoleta para sustentar os objetivos do negócio; Inabilidade para alavancar novas tecnologias; Prazos de projetos que não são cumpridos; Orçamentos freqüentemente excedidos.

Se fossem enumerar as principais características de uma empresa que adota a “governança de TI”, seriam quais?
De forma genérica, as empresas que adotam práticas de governança de TI possuem processos definidos nas seguintes áreas: alinhamento estratégico, entrega de valor, gerenciamento de risco, gerenciamento de recursos e mensuração do desempenho. De forma mais específica percebemos que nas empresas que adotam a governança de TI: há uma transparência nas atividades de TI e a Diretoria se sente no controle da estratégia de TI; as atividades de TI são direcionadas de acordo com a prioridade do negócio; o valor que está sendo entregue para a organização pode ser medido periodicamente, permitindo a correção de desvios e problemas; existem claros processos voltados para o gerenciamento de riscos; há uma cultura instaurada de melhoria contínua sobre as práticas adotadas pelo setor de TI.

Mesmo sabendo que os lucros podem superar os 20%, por que as empresas resistem tanto em aplicar políticas de governança em TI?
Acredito que essa resistência se dissipe paulatinamente, na medida em que á área de negócios passe a ter um papel cada vez mais ativo nas decisões relativas à TI, ao mesmo tempo que a área de TI passe a ter um papel cada vez mais ativo no planejamento estratégico da empresa.

Segundo dados do Butler Group, menos de 8% do orçamento de TI é gasto em iniciativas que agregam valor a organização. Por que isso ocorre?
De acordo com o relatório da Butler, a maioria dos executivos de TI gasta seu tempo medindo e controlando custos, e não focam recursos em iniciativas que irão adicionar valor para a organização. Os departamentos de TI que são capazes de medir seu desempenho são a minoria, e a ausência de mensuração significa que a organização não sabe se os investimentos de TI estão provendo aumento na eficiência, adicionando valor ou vantagem competitiva. A adoção de um framework como o VAL IT pode ajudar a reverter este quadro.

A crise financeira iniciada nos EUA levou a imprensa e a sociedade a tentarem entender melhor o mercado de ações. Em sua palestra, você mostra que a rentabilidade do IGC (Índice de Governança Corporativa) foi maior que da IBOVESPA. O que isso significa no panorama geral do mercado de ações?
O índice de Governança Corporativa foi criado pela Bovespa para acompanhar a evolução no preço das ações no chamado “Novo Mercado”, onde as empresas participantes se comprometem e são auditadas quanto à adoção de práticas de governança que visam dar maior transparência ao investidor. O que se mostrou no fórum foi que o IGC evoluiu 497% desde sua criação (jun/2001) até hoje (ago/2008), enquanto que o Ibovespa, indicador que acompanha a evolução no preço das ações do mercado tradicional, evoluiu apenas 309%. Isso demonstra claramente a preferência do investidor por ações do Novo Mercado, que possuem regras claras de governança corporativa.

Nesse novo cenário de crise econômica mundial, o senhor acredita que as empresas com aplicação em políticas de governança perderam menos nas Bolsas de Valores que as outras?
Num cenário de crise esta comparação direta não pode ser feita, pois são muitas as variáveis envolvidas: especulação, liquidez da ação, preferência por papéis tidos como defensivos, etc. Na realidade ao longo de 2008 o IGC já se desvalorizou 30,50% (até setembro) enquanto o IBOVESPA somente 22,45%. Vale ressaltar que a maioria das ações do Novo Mercado representa empresas que, embora dotadas das práticas de governança corporativa, são novas e, portanto, com menor liquidez do que as empresas do mercado tradicional. Desta forma, é natural que o investidor opte por se desfazer desta (Novo Mercado) antes de uma ação com maior tradição e liquidez.

Renato Jesus é professor de Controle de Governança de TI do Instituto Infnet.

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