País de empreendedor e empreendedoras

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Iêda Novais*

O Brasil pode se considerar um país de empreendedores – e também de empreendedoras.

De acordo com pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o nosso índice de empreendedores (incluindo homens e mulheres) teve uma ligeira queda de 2001 para 2007, passando de 14,20% para 12,72% da população. Ou seja, para cada 100 habitantes, quase 13 deles são empreendedores em estágio inicial.

Com este resultado, aparecemos à frente de todos os países membros do G7 nesta questão. Porém, perdemos para outras nações, como a China, Venezuela, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Tailândia e República Dominicana. No computo geral, O Brasil ficou na 9ª colocação entre os 42 países que participaram deste estudo.

Entretanto, o que devemos avaliar é se empreender é um caminho interessante a ser seguindo.

Nesta mesma pesquisa, foi verificada que a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) no Brasil é 39% maior que a média mundial. Em 2001, a proporção de empreendedores existentes era de 65%, enquanto os novos de 35%. Em 2005, esta relação passou para 28% e 72%, respectivamente. Ou seja, verifica-se que, de uma certa forma, a estabilidade econômica permitiu que mais pessoas se lançassem às iniciativas próprias no mercado – é claro que o número de pessoas que se arriscam em vôo próprio fica bastante reduzido quando a economia se apresenta desfavorável.

Assim, oportunidade e necessidade são as duas principais causas do empreendedorismo no Brasil. Em 2007, a pesquisa pôde observar que cerca de 60% foi por oportunidade, já que a economia estava em um momento favorável; e aproximadamente 40% por necessidade – quando se fala por necessidade, trata-se daqueles casos de pessoas que ficaram desempregadas por algum motivo ou se desligaram de suas empresas em planos de demissão, e, na falta de opção de um outro emprego ou posição melhor no mercado de trabalho, partiram para um negócio próprio para sobreviver, pagar suas contas e honrar seus compromissos.

Outro detalhe interessante da pesquisa é quanto que a maioria dos empreendedores em estágio inicial desembolsam para começar um novo negócio. Cerca de 35% abre o novo negócio com menos de dois mil reais. A principal busca de renda nesta etapa ainda é a família (62%), e menos de 10% recorrem ao crédito bancário. Ou seja, instituições financeiras têm tudo para investir mais nessa prática, visando atrair futuros empreendedores como clientes.

Ainda neste estudo, todos os entrevistados foram questionados se no ano anterior eles venderam, encerraram ou descontinuaram o negócio. Infelizmente, ocorreu isso em 6,5% dos novos empreendedores.

Uma pesquisa também da GEM aponta que as mulheres brasileiras estão em quarto lugar no ranking mundial de empreendedorismo. A necessidade, nesse caso, tem impulsionado as mulheres nessa direção. De acordo com o trabalho, quase 60% delas se lançam para abrir negócio próprio para ajudar nas despesas de casa. Pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente a partir de 2006 a mulher com atividade empreendedora passou a ser socialmente aceita. Provavelmente, estas mulheres ainda encaram diariamente a jornada dupla de cuidar também dos filhos e dos afazeres domésticos.

Isso expressa também o quanto as mulheres brasileiras de hoje têm sonhos – e os querem transformar em realidade. Retrato da mulher do século XXI, mais ambiciosa e intuitiva para a vida e os negócios.

Não é difícil verificar que as mulheres já ocupam posição de destaque dentro do sistema empresarial. Muitas hoje são presidentes de empresas nacionais e globais, de grande capilaridade. A participação delas na construção da riqueza nacional é crescente. Há também a preocupação por parte delas de, antes de constituir família, se dedicar mais tempo aos estudos e se estabelecer profissionalmente.

São histórias de vitórias, conquistas e superação. Exatamente como a prática do empreendedorismo exige, aqui ou em qualquer outro lugar do mundo. No empreendedorismo do Brasil, que envolve muito arrojo, tanto os homens como as mulheres que se enveredaram pelo caminho, já entenderam o esforço que significa transformar um negócio em sucesso.

Iêda A. P. Novais é sócia-diretora e coordenadora da Trevisan Consultoria, professora especialista do LARC/POLI e presidente do Conselho Fiscal da Fundação Nacional da Qualidade.

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