Onde está você agora?

Carlos Alberto Júlio* Para fazer jus à origem militar do termo “estratégia”, contarei uma história de guerra. Muitos analistas acreditam que a Alemanha nazista começou a perder a Segunda Guerra Mundial no ataque à então União Soviética, em 1941. Hitler avaliava ser impossível ganhar a guerra no Oeste da Europa sem uma vitória no Leste e colocou três milhões de soldados alemães nos Bálcãs, além de dois milhões de combatentes de tropas do Eixo (Japão e Itália). Era a Operação Barbarossa. Hitler iniciou a operação em junho e previa que, entre outubro e novembro, a União Soviética já teria capitulado. Ele confiava no poder da blitzkrieg, sua guerra-relâmpago baseada no ataque rápido a alvos específicos, com ações coordenadas por ar e por terra – esse sistema derrotara o exército francês no ano anterior. O Führer também achava que seria apoiado pelo povo soviético, severamente oprimido pela ditadura de Josef Stalin. De fato, em três meses, os alemães estavam às portas de Moscou. Aos poucos, Stalin foi cedendo quase toda a parte européia da União Soviética aos nazistas, mas atacou-os por trás, cortando seu acesso aos suprimentos. Em dezembro, com o inverno russo e sem uniformes próprios, os soldados nazistas não conseguiram completar a invasão de Moscou e entrar no Kremlin, o centro do poder. Também não conseguiram invadir Leningrado, atual São Petersburgo, que foi inteiramente cercada pelo Exército Vermelho. Sem sucesso nessas duas cidades, os alemães resolveram abrir mais uma frente de batalha, movendo, em meados de 1942, parte das tropas para o Sul do país. Hitler pretendia dominar os campos de petróleo do Cáucaso e a rota de transporte de navios no rio Volga, que seriam dois grandes golpes nos soviéticos e nos Aliados. Mas a estratégia nazista fracassou. Você sabe por quê? Vejamos os fatos: na campanha da União Soviética, Hitler tinha objetivos bem definidos e um caminho claro para alcançá-los. Em que ele errou? Essa resposta é virtualmente infinita, é claro. Mas, para o nosso propósito, importa ressaltar que ele não desenhou um retrato fiel da situação naquele momento. Não conhecia suas forças e fraquezas: a blitzkrieg já não surpreendia como antes, e o exército alemão não dava conta de combater em três frentes. Hitler ignorava o contexto do inverno russo e, principalmente, não compreendia as forças e as fraquezas do rival. Para entender esse rival, bastaria que Hitler estudasse a história da invasão da Rússia por Napoleão Bonaparte. Em 1812, Napoleão já estava instalado no Kremlin, quando os russos voluntariamente começaram a incendiar Moscou, queimando tudo o que possuíam. E onde eu quero chegar com tudo isso? Quero apenas deixar um alerta: descubra onde a sua empresa está hoje! E por quê? Porque a estratégia nascerá errada, se não for feita uma análise da empresa, de seu mercado e do ambiente em que se encontra, ou se essa análise estiver equivocada ou incompleta. Trata-se de algo muito mais complexo do que descobrir quantos quilos você consegue perder em uma semana, por exemplo. Afinal, se você subavaliar sua capacidade na situação atual, cometerá um grave erro, pois deixará de ir tão longe quanto poderia; se a superestimar, estabelecerá um objetivo que não poderá alcançar. Sobre essa avaliação, o militar e filósofo chinês Sun Tzu disse há 2.500 anos: “Se conhecemos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. Se não nos conhecemos, nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas”. O autoconhecimento, ou a auto-análise, quando sincera, despida de preconceitos e corajosa o suficiente para fornecer respostas úteis sobre pontos fracos e fortes, é um passo fundamental para descobrir “onde você está hoje” e, assim, determinar o seu plano para chegar ao amanhã. Vale pra você e ainda mais para os nossos negócios. Boa análise, bons negócios! Júlio, Carlos Alberto Por Carlos Alberto Júlio, presidente da Tecnisa e membro do Conselho de Administração da HSM do Brasil e da Camil Alimentos. www.carlosjulio.com.br

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