O que aconteceria se Charles Darwin fosse o estrategista da minha empresa?

por Roberto Campos de Lima, em www.execucaodaestrategia.com.br

Este é o primeiro post de uma série em que resolvi conjecturar acerca de grandes personalidades da nossa história e seus possíveis raciocínios sobre a estratégia. Tentei elaborar seus pensamentos e possíveis decisões que seriam tomadas se eles fossem os principais estrategistas da minha empresa e isso me trouxe insights importantes.

Começo por Charles Darwin, o grande naturalista britânico que desenvolveu a Teoria da Evolução baseada em um processo de seleção natural. Darwin explicou a capacidade de adaptação dos seres vivos às adversidades apresentadas pelo seu ambiente através da reprodução de características favoráveis à sobrevivência.
Não é preciso ser um grande estudioso de estratégia para concluir que algumas empresas estão mais aptas que outras a sobreviver no hostil ambiente de negócios dos nossos dias, basta observarmos que, por exemplo, mais da metade das empresas listadas no Fortune 500 mudam a cada 10 anos, seja por que mudaram suas características, participaram de um processo de fusão, aquisição ou incorporação, ou simplesmente deixaram de existir. A pergunta é portanto: O que faz com que algumas empresas tenham longevidade e outras não? A parte mais óbvia desta reflexão, a partir de uma ótica Darwiniana, é concluir que a capacidade de adaptação e especialização da organização é o diferencial entre a vida e a morte, pois a teoria central de Darwin, a seleção natural, sustenta que as espécies mais preparadas para as adversidades, e não necessariamente as mais fortes, sobrevivem no longo prazo.
Suponho que na função de estrategista, Darwin faria um grande esforço para assegurar o desenvolvimento de competências essenciais únicas, capazes de garantir a competitividade no longo prazo. Em função do nosso ambiente de negócios dinâmico, tais competências deveriam ser constantemente revisadas, sob pena de se tornarem obsoletas. Logo, sua visão não teria um caráter fixo e prescritivo, mas uma abordagem maleável para absorver as transformações no ambiente de negócios, viabilizando a sobrevivência organizacional. A Missão Empresarial, por exemplo, seria vista como algo passível de alterações, ou no mínimo seria abrangente o bastante para absorver as mutações que a organização experimentaria ao longo do tempo.
Assim como na natureza os machos mais aptos a sobreviver atraem fêmeas e agregam bandos, a visão Darwiniana de estratégia sugeriria que as empresas mais preparadas para a mudança e detentoras de competências essenciais únicas teriam mais capacidade de atrair para a sua órbita stakeholders fundamentais tais como bons investidores, colaboradores com talentos diferenciados e os melhores clientes, o que reforçaria a “perpetuação da espécie”. Estaria aqui uma das razões para a formação de grandes grupos empresariais? De forma absolutamente alinhada à lógica de perpetuação, estas empresas são capazes de reproduzir as vantagens competitivas da “empresa mãe” para suas unidades de negócios, transmitindo as “características genéticas” únicas e em cadeia aos seus “filhotes”.
A exemplo de Richard Hofstadter que cunhou o termo “Darwinismo Social” para explicar a sobrevivência e evolução do mais apto na sociedade, poderíamos propor aqui o “Darwinismo Estratégico Empresarial”. Esta Escola teria portanto a adaptabilidade da estratégia, a partir do constante monitoramento e ponta respostas às demandas do ambiente de negócios, como pedra angular para a sobrevivência das organizações no longo prazo.

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