Mínimo Processo Viável

por Leandro Jesus em LinkedIn

No contexto do desenvolvimento de novos produtos ou negócios, Mínimo Produto Viável (MVP, do original Minimum Viable Product) é a versão mais simples de um produto, que pode ser lançada com uma quantidade mínima de tempo e esforço. Um MVP busca acelerar o aprendizado junto aos clientes – estes podem prover valiosos feedbacks para orientar o desenvolvimento de versões futuras, validando ou refutando hipóteses e assim reduzindo retrabalhos. A estratégia tem sido largamente difundida pelas abordagens ágeis, em contraposição à lógica tradicional de desenvolvimento.

Em projetos de transformação organizacional, em que mudamos rotinas de trabalho e recursos de suporte à execução, podemos pensar de forma análoga no Mínimo Processo Viável, isto é, o processo mínimo a ser colocado em operação visando acelerar o aprendizado junto aos executores. E isso muda a maneira como a maioria das organizações vem conduzindo seus projetos.

Aprendemos a conduzir projetos de forma linear e sequencial , em que cada nova fase depende da anterior e agrega valor ao resultado final (justamente como as linhas de montagem). Assim, iniciamos tais projetos com um entendimento da situação atual dos processos (As Is), seguido de análise e concepção do modelo futuro de atuação (To Be), desenvolvimento de sistemas e recursos necessários à operação, implementação e entrada em operação. Essas fases em geral são conduzidas por equipes específicas (equipe de Processos, equipe de TI, equipe de Gestão da Mudança etc.) em projetos que podem levar inúmeros meses até o famoso roll out da nova operação.

Qual o problema dessa abordagem sequencial? Assumir que as equipes do projeto conseguem capturar e descrever de uma única vez, por meio de modelos de processo, regras e requisitos, TUDO o que os executores (clientes) realmente precisam. Enquanto na prática muitos executores não conseguem traduzir todas as suas necessidades, ou estas mudam ao longo do extenso prazo do projeto.

Pense: quanto tempo você leva hoje na análise e desenho de processos? No desenvolvimento e implementação de sistemas? Na implementação de melhorias associadas a pessoas/organização? Por fim, quanto retrabalho existe hoje em todo esse ciclo em função de alterações no negócio?

Uma abordagem de Mínimo Processo Viável implica reconhecer que um projeto de transformação deve ter múltiplas interações com o cliente, e que a melhor maneira de aprender sobre suas necessidades é fazendo-o experimentar o quanto antes a execução de um novo processo, com o mínimo de funcionalidades. Assim, o desenho (design, concepção) é continuamente revisitado em função da execução e medição do processo, em sprints rumo à visão de futuro desejada para a operação. Em outras palavras:

Ao invés de conceber em detalhes o que executar, executamos para poder conceber melhor.

Essa estratégia viabiliza o alcance de ganhos de curto prazo (quick wins) com as versões iniciais do processo futuro. E ganhos de curto prazo são fundamentais para motivar os envolvidos e comprometê-los com a transformação.

Note que isso muda algumas “verdades absolutas” do mercado, como a de que empresas devem iniciar seus trabalhos com o mapeamento de todos os processos, ou de que a melhoria sempre precede a automação. Pelo contrário, cada vez fica mais evidente a necessidade de demonstrarmos ganhos rápidos e aprendermos com a execução na prática. As abordagens para transformação deverão ser ágeis e enxutas o suficiente para refletir isso.

Em quantas semanas sua empresa consegue colocar um mínimo processo viável para rodar? Pense nisso a partir de agora.

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