Líder vigilante x Líder operacional

George S. Day e Paul J. H. Schoemaker** www.hsm.com.br Quando a fabricante de medicamentos holandesa Organon International Inc. conduziu testes clínicos para uma nova anti-histamina, a secretária responsável em fazer os registros dos voluntários dos testes, que fariam checkups médicos, percebeu algo: alguns deles estavam animados além do normal. Uma observação externa, talvez, mas ela achou que valia a pena compartilhar isso com os gerentes que conduziam o teste. Eles investigaram isso com profundidade e identificaram que todos os voluntários exacerbadamente animados, no teste, estavam tomando a droga. Ao final, a droga provou ser ineficiente como um produto antialérgico, mas os pesquisadores descobriram que estavam com um eficiente medicamento para o combate à depressão. Lançada no mercado, o produto tornou-se um sucesso de vendas. Isso jamais teria ocorrido se a secretária citada não tivesse sido treinada para prestar atenção a detalhes e acreditar no que via, nem se os gerentes não fossem receptivos a ouvir o que uma colega de empresa tinha a dizer e levar isso a sério. Modelar tamanha vigilância é uma habilidade de liderança extremamente valorizada, por conta de sua escassez. Os investidores querem saber se os líderes estão ignorando os sinais de aviso ou “perdendo o bonde”. Por outro lado, os líderes vigilantes podem identificar oportunidades e ameaças antes dos concorrentes. Os conselhos de administração das empresas não esperam por premonições. Acreditam sim, fielmente, na liderança de uma equipe como fator de percepção e ação para sinais e avisos de problemas ou oportunidades. No entanto, a lentidão para “cair a ficha” é a norma, em situações como essa. Por exemplo, as lideranças da Monsanto demoraram para perceber o crescimento da opinião pública contra os alimentos geneticamente modificados. Recentemente, a crise imobiliária que derreteu gigantes que operavam no setor tinha dado sinais de vida há vários anos, mas foi ignorada ou subestimada pela grande maioria dos investidores, corretores e agências de avaliação. O resultado, todos nós conhecemos qual foi. Inúmeros exemplos como esses poderiam ser mencionados. Para evitar essa paralisia gerada pela ausência de visão, os líderes precisam ser vigilantes. Isso significa aumentar pesadamente naquilo que chamamos de “estar por dentro das coisas”, caracterizado pela curiosidade, estado de alerta e um desejo de agir em cima de informações incompletas. Líderes podem influenciar enormemente na capacidade de suas empresas manterem-se vigilantes. Três qualidades distinguem líderes vigilantes daqueles que priorizam a excelência operacional. O líder vigilante: * foca de maneira externa e mantém-se aberto para perspectivas diversas; * aplica previsões estratégicas e investiga profundamente efeitos secundários * encoraja os demais a amplamente explorar seu ambiente, criando uma cultura de descobertas. Por outro lado, líderes focados nas atividades operacionais concentram-se nas tarefas imediatas, envolvem-se em planejamentos estratégicos e orçamentos tradicionais e encorajam a cultura da execução soberba. Líderes operacionais agem como animais domesticados e vestem a camisa da excelência, na execução, para manter-se focados no objetivo e nos prazos. Líderes vigilantes olham para os lados em busca de novos caminhos e oportunidades, bem como por ameaças que possam impedi-los de progredir. Veja um resumo das características que diferenciam líderes vigilantes dos operacionais na tabela abaixo, que encerra esse artigo: Líderes vigilantes x líderes oepracionais Esse artigo foi baseado em um trecho do orignal Are You a ‘Vigilant Leader’?, de George S. Day e Paul J. H. Schoemaker, que foi publicado pela MIT Sloan Management Review – 2008. Day, George S. George S. Day é professor de marketing e co-diretor do Mack Center for Technological Innovation Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia. Schoemaker, Paul J. H. Paul J.H. Schoemaker é fundador e presidente da Decision Strategies International, firma de consultoria e treinamento especializada em gestão estratégica.

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