Ignorância ascendente

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Ignorância ascendente será um dos principais motivos de fracassos profissionais do século XXI

Em plena era do conhecimento, a baixa qualidade do ensino tornou-se uma ameaça à competitividade das empresas e uma trava ao crescimento dos países.

No jogo da competitividade mundial, o que define o sucesso das empresas e do próprio país é basicamente a qualidade do ensino e sua capacidade de entregar ao mercado os profissionais que ele necessita.

No Brasil estamos fazendo “gol contra”, pois aqui fica evidente a dificuldade das empresas de qualquer setor em recrutarem capital humano de boa qualidade. Esse é exatamente um dos grandes desafios das economias que perseguem o crescimento sustentável: garantir o suprimento de massas de pessoas qualificadas

Uma pesquisa realizada em parceria entre o Ibmec São Paulo e a London Business School com as 500 maiores empresas brasileiras identificou que a baixa formação dos empregados afeta negativamente decisões de investimento.
Cerca de 40% delas disseram que a falta de trabalhadores qualificados impede a adoção de novas tecnologias. “O Brasil sempre se preocupou em fazer política industrial, mas ignorou que o mais importante é formar pessoas”, diz o economista Naércio Aquino Menezes Filho, coordenador da pesquisa pelo Ibmec. “O resultado disso é que as empresas estão perdendo produtividade”.

Um exemplo concreto disso é que a maior empresa de atendimento telefônico do país passa por uma dificuldade constante em seu processo de seleção, houve uma vez em que metade dos quase 250.000 candidatos, jovens entre 18 a 24 anos com ensino médio completo foi reprovada nos testes orais por não conseguir falar o português básico corretamente. Estes processos de seleção são muito onerosos á empresa que gasta perto de dois milhões de reais. O atendente necessita apenas ter um mínimo de vocabulário. Mas a maioria deles mal sabe falar e cometem erros grosseiros de linguagem diz a responsável pelo recrutamento e seleção.

Ludwig Wittgenstein considerado um dos maiores filósofos do século XX diz que “As limitações das minhas palavras são as limitações da minha mente. Tudo o que eu conheço é aquilo para o que tenho palavras”.

Se alem disso estendermos ao Brasil os dados do artigo de I. Cavagnoli, que nos EUA os funcionários gastam de 30 a 40% do seu tempo com a resolução de conflitos, o que configura um desperdício e tanto de produtividade. As empresas no Brasil ficariam com sua produtividade ainda mais comprometida.

Que filmes e programas você escolhe para assistir, quando chega o momento de relaxar? Que livros você está lendo hoje? As imagens e reações dos personagens estão sendo programadas em sua mente. Minuto a minuto. Cada momento da sua vida faz parte do seu aprendizado, agora lhe pergunto como você está aproveitando estes momentos? Com o que você está alimentando o seu cérebro?

Vivemos num país com 70% de analfabetismo funcional, está é denominação dada á pessoa que apesar saber ler e escrever é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem colocar idéias no papel por meio do sistema de escrita. Isto é não sabe ler ou escrever segundo as necessidades do mundo atual.

Mas a definição do IBGE para analfabetismo funcional é outra, pois não toma como base à auto-avaliação dos respondentes, mas o número de séries escolares concluídas. Pelo critério adotado, são analfabetas funcionais às pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal. Com isso, o índice de analfabetismo funcional no Brasil cairia para 27%, segundo o Censo 2000.

Independentemente do critério adotado, temos um problema serio de educação no Brasil, que como podemos ver acima é “varrido pra baixo do tapete”. O mercado de trabalho nos mostra uma realidade completamente diferente, hoje temos um hiato entre as vagas oferecidas e a qualificação dos candidatos.

As empresas estão investindo milhões de reais em programas de treinamento visando, com isso, desenvolver seus futuros funcionários, uma vez que o mercado não vem atendendo a sua demanda de mão-de-obra qualificada. As organizações vêm se queixando quanto à falta de profissionais capacitados para preencher as vagas que vêm surgindo.

Observe por exemplo à dicotomia que as faculdades apresentam aos seus alunos, ensinando-os a sempre responder a uma avaliação da forma mais extensa possível. Não basta apenas responder o que foi perguntado. Para se obter a nota máxima é necessário dar voltas em torno do assunto a passos arrastados, se aproximando com cautela e só então dar a resposta.

Mas no mundo real das empresas as regras são completamente diferentes, o tempo é moeda escassa e os problemas devem ser solucionados de forma rápida e direta. As pessoas precisam ir direto ao ponto. Nas universidades, por algum motivo completamente desconhecido, parece que todos os professores decidiram se unir e seguir o caminho completamente oposto. Uma solução direta para um problema é punida com uma nota apenas parcial. Você não consegue a nota máxima sem enrolar e resolver o problema de um jeito extenso e demorado. Enfim os próprios centros de ensino se incumbem de despreparar os alunos para o mercado de trabalho.

Alem disso há hoje um consenso no mundo empresarial de que a homogeneidade é menos criativa, inovadora e mais restritiva, já que tende a encarar o mundo sob a mesma ótica. “Toda unanimidade é burra”, já profetizava o famoso dramaturgo Nelson Rodrigues. Mas os educadores ainda primam pela igualdade, respostas padrão, certo ou errado, inibindo assim a criatividade e a inovação.

Como relatou Fernando Dolabela em seu livro Oficina do Empreendedor “Numa reunião na escola da minha filha, de quatro anos, a professora exibiu orgulhosa o progresso da menina, mostrando que em seis meses ela aprendera a fazer desenhos sem ultrapassar as linhas que delimitam o espaço para desenho. Daqui a 20 anos vou ter de gastar uns 30 mil dólares num MBA para ela reaprender a ultrapassar as linhas que limitam seu espaço”.

Mesmo assim a maioria das empresas ainda foca em seus processos seletivos em pessoas com a mesma personalidade da empresa. Quando alguém diferente é contratado e começa a questionar os contratos psicológicos, sofre uma tremenda pressão para mudar.

A prova disso é que a médica do trabalho Margarida Barreto de 1996 a 2000, ela fez um levantamento sobre os casos de humilhação no trabalho ao elaborar sua tese de mestrado “Jornada de Humilhações”, concluída ainda em 2000, ouviu 2.072 pessoas, das quais 42% declararam ter sofrido repetitivas humilhações no trabalho, chegando a uma triste conclusão: o assédio moral é uma realidade nas empresas brasileiras.

Uma das muitas pérolas corporativas que a médica coleciona é o e-mail que o gerente regional de um conhecido banco brasileiro mandou para outros 19 gerentes-gerais, seus subordinados: “Basta! Quem não entregar a lição de casa não vai passar de ano… Se tivermos outro fracasso neste mês, os culpados serão vocês, que não souberam levar seus subordinados a realizar as metas…”.

Você não acredita nisso. Uma das formas mais comuns de assedio é o estabelecimento de metas impossíveis de serem atingidas e a cobrança constante por parte do empregador ou superior hierárquico (assédio clausular). Neste ponto, é importante salientar que não há nenhum problema em estabelecer metas de produtividade e motivar os empregados a atingi-las. O assédio surge quando as metas são irrealizáveis e o superior faz cobranças pressionando-o constantemente ou até humilhando o empregado.

Então agora você está reconhecendo o mundo em que vive?

Mas boa parte do problema não está na empresa, mas nas pessoas que nela trabalham, ou seja, o seu chefe.

John Hoover no livro “Como Trabalhar para um Idiota” diz que é praticamente impossível construir uma carreira sem passar pela experiência de trabalhar sob as ordens de um chefe prepotente, perfeccionista, inseguro ou apenas incompetente. Por mais que você faça, sempre haverá a situação de ter de se submeter a alguém a quem você nem sempre considera o modelo ideal.

Por outro lado é muito difícil encontrar alguém 100% incompetente, então faça uma auto analise e veja se o problema não é com você ou até que ponto é possível aprender alguma coisa com seu chefe, afinal se ele chegou até esse cargo com certeza deve ter algum mérito.

De qualquer maneira passamos atualmente por um problema serio de competências essenciais, muitos estão despreparados para o mundo e mercado no século XXI, e por mais otimista que eu possa ser, acredito que as coisas irão piorar antes de melhorar.

Se me perguntassem qual a solução? Diria que a solução é você. O que você está fazendo para se desenvolver e mudar este cenário?

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