Gestão do conhecimento na esfera pública: redes sociais sim, Facebook e Twitter não

Transparência, colaboração, desburocratização e Steve Jobs foram os temas de destaque na exposição dos representantes da esfera pública durante o 10º Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (KM Brasil 2011), promovido pela Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC). Numa coisa todos concordam: a administração pública não pode ficar de fora das redes sociais. O uso das mídias digitais FaceBook e Twitter estão descartadas por se tratarem de empresas privadas estrangeiras.

Roberto Agune, da Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo; Cristiano Ferri Faria, da Câmara dos Deputados; Marco Sena Cardoso, dos Correios e Neide de Sordi, especialista no sistema judiciário federal, estiveram reunidos no KM Brasil 2011, para discutir como as estratégias de gestão do conhecimento podem auxiliar a administração pública a tornar-se mais transparente à sociedade civil.

“O Brasil é o país que mais utiliza as redes sociais”, informou Agune. “É importante que o governo use as redes e o crowdsourcing para a criação coletiva de soluções. É preciso um choque de conhecimento na gestão pública”, sentenciou o gestor, representante do governo do Estado de São Paulo. Segundo ele, o iGov.SP (www.igovsp.net) pretende usar os instrumentos da gestão do conhecimento para promover maior transparência, colaboração, ampliação dos serviços e o desenvolvimento de novos modelos de comunicação.

Agune salientou que a Apple Store e o Android Marketing já dispõem de aplicativos que podem ser baixados para receber SMS do governo por celulares.

Cristiano Ferri Faria, da Câmara dos Deputados, apresentou o Portal e-democracia (www.edomocracia.gov.br). De acordo com ele, o País vive uma crise política e democrática. “O ciclo básico da democracia baseia-se na participação eleitoral. Em tese, o eleitor deveria demonstrar suas preferências pelo voto e os parlamentares, por sua vez, teriam que observar os sinais desses anseios de várias formas e transformá-los em políticas públicas”. Faria ressaltou que existem 15 mil projetos de lei tramitando no Congresso federal.

Para ele, o problema é que as pessoas não sabem o que querem; os representantes não estão muito conectados com a sociedade; a população não tem controle sobre os parlamentares e; há uma ineficiência geral do Estado. “Aqui é que entra o e-democracia. O Portal oferece canais de conexão direta com os deputados, de acordo com os temas de interesse do cidadão”.

Cristiano Faria revelou, no entanto, uma nova dificuldade. “Cerca de 80 milhões de brasileiros acessam a Internet. O problema, neste caso, são os excluídos digitais, que estariam mais excluídos ainda desse processo”.

Embora os 110 mil empregados dos Correios tenham deflagrado um período de greve, Marco Sena Cardoso, representante da empresa estatal, compareceu ao KM Brasil para falar sobre transferência e absorção do conhecimento em gestão de projetos, por meio das redes sociais. Ele explicou que na instituição tudo ocorre por meio de projetos e, com isso, há uma elevada perda do conhecimento. “A integração ainda é baixa e há uma subutilização dos dados. Dessa forma, a transferência de conhecimento é muito difícil e envolve altos investimentos”, desabafou.

A estratégia adotada pelos Correios foi a construção de uma rede social informal, na qual foram detectados os detentores do conhecimento e o grau de interação de cada um deles. Logo após, foram determinados os conectores centrais da cadeia e os corretores de conteúdo nos subgrupos, além dos chamados “expansores de fronteira”. Os resultados foram verificados a partir das comunidades de prática, que promovem a colaboração nos assuntos mais recorrentes da instituição e a transformação dos processos, que hoje são feitos de forma simples e informal, facilitando a transferência e a absorção dos conteúdos.

Por fim, Neide de Sordi, especialista em processos judiciais, informou que os 97 tribunais federais não formam um grupo homogêneo e que, a grande dificuldade do Judiciário ainda é a quantidade de documentos em papel que produz para chegar às decisões. “Tudo no Brasil acaba na Justiça. Até briga de vizinhos gera processo no âmbito jurídico”, relatou. “Já existe a Lei 11.419 de 2005, que determina transformar a papelada em arquivos digitais. Porém, primeiramente, é preciso cuidar do documento explícito. Somente depois do registro formal desses processos é que será dado o segundo passo, que é a implantação completa do PJE – Processo Judicial Eletrônico em todo o Brasil”, concluiu.

Big Apple

A genialidade de Steve Jobs, recentemente falecido, não foi esquecida pelos gestores. Cada um, a seu modo prestou sua homenagem ao fundador da Apple. Agune encerrou sua palestra citando as palavras do executivo: “Você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida ou como um resultado que aponta para uma nova direção”. Já Ferri, acrescentou que a principal característica de Jobs foi transformar coisas complicadas em coisas simples.