Gestão de Projetos e a Execução da Estratégia

por Vivian Manelli, em execucaodaestrategia.com.br

Estava lendo um artigo muito interessante de Jay Siegelaub na revista Mundo PM de jun/jul, “Da Tripla à Sêxtupla Restrição”, sobre a expansão da já largamente difundida tripla restrição – custo, escopo e prazo – para seis restrições de gerenciamento de projetos, incluindo qualidade, riscos e benefícios. Esta última em particular me chamou bastante atenção, pois já há tempos é utilizada durante o gerenciamento da estratégia de organizações que utilizam a ferramenta BSC na tomada de decisão.

Segundo o artigo, “benefícios representam o valor que se espera que um projeto entregue à organização.  Se não houver uma justificativa clara, o projeto não deve ser iniciado, e se a justificativa desaparecer – ou for abaixo de um limite aceitável – o projeto deve ser interrompido”.

Parece óbvio que um projeto não deve ser iniciado caso não haja uma justificativa clara para a sua execução. Porém, não é isso que vejo em algumas organizações em que tenho a oportunidade de acompanhar o processo de tomada de decisão.

Há, sim, em muitos lugares, declarações inspiradoras de onde se querem chegar e até objetivos claros a percorrer para se chegar lá. Paralelamente, projetos são priorizados com base em outros fatores que não aqueles relacionados à estratégia, seja porque é um assunto que está em evidência, seja porque fora demandado em algum momento porém sem a análise de sua aderência com a estratégia, ou pior, porque o patrocinador do projeto exerce grande influência dentro da organização.

Reformular o modelo de governança da estratégia com o uso do Balanced Scorecard prevê que a gestão do portfólio de projetos vislumbre  a execução da estratégia. Explico.

Durante a etapa de preparação da reunião de gestão estratégica, é feita uma análise de desempenho do objetivo estratégico e são propostas recomendações de correção de rumo caso este objetivo não esteja tendo o desempenho esperado. Essas recomendações, em uma organização com nível de maturidade elevado na utilização da ferramenta, devem ser baseadas nos projetos que suportam a execução da estratégia.

Ora, os projetos são a estratégia em ação. Portanto, caso um projeto não esteja entregando os benefícios esperados impostos pelos desafios estratégicos, deve ser cancelado, repriorizado ou ter seu escopo redefinido. Se o projeto precisa entregar determinado resultado e, durante a sua consecução, é sabido que estes resultados não poderão ser entregues por fatores diversos, não há motivo algum para que este continue caminhando da mesma maneira, podendo gerar mais custos do que benefícios para a organização.

Logo, além de todas as restrições de um projeto que já são acompanhadas operacionalmente, o benefício que este deveria entregar em prol da estratégia também deve ser especialmente considerado na tomada de decisão.

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