Gerenciamento de projetos: o perigoso gerenciamento por otimismo

http://www.engenharia.nelsonbiagiojr.com Segundo a lei de Parkinson, um dado trabalho qualquer expande-se de maneira constante até ocupar todo o tempo disponível para a sua conclusão. Na área de gerenciamento de projetos, tal corolário é perigosamente verdadeiro, basta reparar: geralmente, em todas as atividades onde há uma data de conclusão bem definida — por mais amplo que seja o prazo para a sua conclusão — o trabalho a ser realizado/entregue somente se concretiza em cima da hora. Imagine, por exemplo, o seguinte diálogo entre um Gerente de Projetos (GP) e o membro do time de projetos (MTP): MTP: A configuração do ambiente de rede levou uma semana a mais do que o planejado e, por conta disso, não teremos tempo suficiente para realizar os testes. Acho melhor mudarmos a data de entrega desta atividade. GP: Não! Tenho certeza que você pode resolver esse problema. MTP: Como disse, eu acredito que reduzir o período de testes para apenas dois dias é muito arriscado! Poderemos comprometer todo o projeto… GP: Você sabe como esse projeto é importante. Nós não podemos considerar qualquer atraso! Vá lá e faça as coisas funcionarem. Isto, é o exemplo típico do gerenciamento por otimismo. Este é, provavelmente, o mais perigoso tipo de gerenciamento de projetos que existe, tornando-se sempre uma grave ameaça ao projeto em si e, principalmente, à carreira do gerente de projetos que escolhe essa linha de atuação. Note, entretanto, que o gerenciamento por otimismo difere radicalmente da atitude de ser otimista. Uma pessoa otimista esforça-se para enxergar os melhores ângulos de qualquer situação, mesmo as mais problemáticas, enquanto aquele que gerencia um projeto por otimismo não admite qualquer possibilidade de falha. Este, ao invés de encarar os problemas e tentar encontrar a melhor solução, simplesmente os ignora até levar o seu time, e o seu projeto, a uma situação catastrófica. Assim, cabe-nos evitar a qualquer custo que o gerenciamento por otimismo tome conta de nossos projetos, aprendendo a reconhecer seus principais sinais : • Falhas no reconhecimento dos riscos em potencial; • Reações adversas à qualquer tentativa de se adequar o cronograma ou o escopo do projeto à realidade; • Tendência a considerar todas as situações de modo mais favorável do que realmente se apresentam. É exatamente para tentar evitar situações deste tipo que se deve ter como metodologia de trabalho o hábito de relatar e divulgar a todos os interessados, o mais rapidamente possível, todos os riscos já identificados. É claro que isso sempre gera uma situação delicada, mas um aviso precoce de risco é sempre melhor do que uma falha ou atraso imprevisto.

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