Faltam ideias?

por Abilio Diniz em Abiliodiniz.com.br

Inovação pode ser uma questão de reconhecer ideias já existentes

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A fim de gerar inovação, as empresas quase sempre partem do mesmo pressuposto: “nós precisamos de novas ideias”. Mas, para o professor de administração David Burkus, autor do livro The Myths of Creativity, as companhias precisam começar a pensar fora da caixa. “Na maioria das organizações, inovação não é um problema de falta de ideias, mas de não notar as boas ideias já existentes”.

Segundo Burkus, alguns exemplos da história comprovam essa tese. O laboratório de pesquisa da Kodak inventou a primeira câmera digital em 1975, mas não deu continuidade ao projeto. Enquanto isso, a Sony desenvolveu um diferente protótipo e roubou o futuro da fotografia digital. Já a Xerox criou o primeiro computador pessoal, mas não investiu o suficiente em tecnologia permitindo, assim, que Steve Jobs e Apple aproveitassem a brilhante oportunidade.

Os exemplos, segundo o professor, refletem um problema compartilhado entre grande parte dos líderes: o preconceito contra ideias criativas já existentes em suas companhias, já que elas carregam uma pequena quantidade de incertezas. “Isso pode explicar porque tantas inovações notáveis foram inicialmente rejeitadas no passado e ainda são hoje quando é comum ouvir de executivos que eles não trabalham em um negócio incerto”.

Para o acadêmico, as empresas precisam perceber que a mesma incerteza que provoca a necessidade de inovar também pode desencadear a rejeição de descobertas que as ajudariam a ganhar uma vantagem competitiva. “Ideias que poderiam manter a empresa viva estão sendo descartadas muito rapidamente”.

Uma possível solução para o problema é mudar a estrutura de compartilhamento de ideias sem eliminá-las completamente. “Em vez de utilizar a hierarquia tradicional de encontrar e aprovar ideias, o processo de aprovação pode ser espalhado por toda a organização”.

Essa abordagem, segundo o professor, é usada pela empresa Rite-Solutions há quase uma década. A companhia criou um “mercado de ideias” em seu site interno, onde qualquer pessoa pode postar uma ideia e listá-la como um “estoque” num mercado virtual, chamado de “Fun Mutual.” A cada funcionário também é dado moedas virtuais para “investir” nas ideias. Além do investimento, os funcionários podem se candidatar para trabalhar nos projetos que acreditam. Se uma ideia reúne apoio suficiente, o projeto é aprovado e todos os que o apoiaram ganham uma parte dos lucros.

Em seu primeiro ano, o Fun Mutual foi responsável por 50% do crescimento de novos negócios da empresa. Porém, mais importante do que a receita imediata, o mercado de ideias criou uma cultura de democratização do reconhecimento. “Um sistema baseado na hipótese de que todos na empresa já têm grandes ideias mostra que a solução não é buscar ideias novas e em outros lugares. A solução está em reconhecê-las”.

Fonte: Harvard Business Review

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