Escolha o drama, não a tragédia

Mario Sergio Cortella, para www.hsm.com.br

“Os ventos do mercado mundial batem para lá e para cá. Você pode não controlar os ventos, mas pode redirecionar as velas”, disse Mario Sergio Cortella ao público do Fórum HSM de Gestão e Liderança 2010

Tendo dado uma visão geral do panorama da mudança na história e no pensamento humano, Mario Sergio Cortella aplicou suas ideias ao ambiente das organizações. Ele propôs a reflexão: “Mudança é tragédia ou drama?”

Tragédia tem a ver com o inevitável, pois é obra dos deuses, segundo a concepção grega. Ela sempre termina com uma fatalidade. Drama é o que é passível de intervenção. “Por exemplo, a crise de 2008 foi considerada uma tragédia, mas foi construída pouco a pouco, tecida com todos os elementos quando se admitiu a lógica do ‘fazemos qualquer negócio’”, ilustrou Cortella. “Temos de pensar nossa situação não como fatal, mas como dramática”, exortou.

A tragédia, porém, traz uma grande vantagem: exime-nos da responsabilidade. Pensamos “o mercado é assim, não há o que fazer” ou “faço o que posso”. “Os ventos do mercado mundial batem para lá e para cá. Você pode não controlar os ventos, mas pode redirecionar as velas”, alerta.

Uma empresa pode evoluir. A própria noção de competência é temporal. Hoje, ninguém mais é competente de maneira completa. “A competência, num mundo de mudança veloz, também é coletiva. Não está mais apoiada em um indivíduo e sim num grupo de indivíduos. Assim, minha competência acaba quando acaba a do outro.”

Não há mais empresas qualificadas

Nesse sentido, há que imperar dois princípios nas empresas: quem sabe, reparte; quem não sabe, procura. “Só é bom ensinante quem é bom aprendente. Se isso acontecer, você terá o fortalecimento da condição coletiva da competência”, explicou. Os cortes de pessoal ocorridos em 2009, por exemplo, dispensaram a competência acumulada que havia nas empresas. E demandaram investimentos futuros em pessoal. “Esse patrimônio não é tão intangível assim, pode ser calculado pelo montante de investimento novo que será necessário.”

“Não há mais empresas qualificadas, mas qualificantes. É preciso ter humildade pedagógica”, afirmou o professor. Nenhuma empresa pode dispensar o conhecimento que reside nela, se não quiser perder força. O estoque de conhecimento tácito ou explícito das pessoas é essencial e deve vir à tona.

Rememorando Beda, um monge do oitavo século, Cortella afirmou que existem três caminhos para o sucesso neste mundo em que evolução ainda significa desaparecimento:

• Ensinar o que se sabe, isto é, ter generosidade mental.
• Ter coerência ética.
• Ter humildade intelectual.

Dentro da temática do aprendizado, o palestrante observou que o pior perigo em nossa época é envelhecermos. “Afastem-se de gente velha, que acha que só ela sabe, e aproxime-se de gente idosa, que foi capaz de se renovar”, aconselha. Existem empresas que envelhecem e, hoje, a velocidade de apodrecimento é maior.

Cortella lembra que, em nome da reengenharia, há alguns anos, muitas empresas dispensaram os idosos de seus quadros e contrataram jovens de 25 anos. Liberaram, assim, seu estoque de competências. Hoje, estão chamando os idosos de volta, sob o título de “consultores”. “Gente não envelhece como um fogão. Gente nasce não-pronta e vai se fazendo”, arremata.

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