Época de Mudanças ou Mudança de Época?

por Cezar Souza, em hsm.com.br

Confira como o modelo antigo de liderança já não se adapta mais as mudanças de época que estamos vivendo

O grau de despreparo dos líderes para lidar eficazmente com os desafios que nos atormentam fica ainda mais evidente quando levamos em consideração um conjunto de novas circunstâncias que impactam nosso cotidiano. Estamos em plena transição de um mundo industrial para a era dos serviços; do foco no produto para o foco no cliente; da padronização para a customização; da repetição para a diversidade; do fixo para o móvel; do previsível para o volátil; do analógico para o digital; da indiferença, quando empresas andavam de costas para a comunidade, para a exigência da responsabilidade social e ambiental; de um mundo ocidental para uma globalização multipolar.

Essa série de transições ocorrendo ao mesmo tempo pode levar os mais apressados a concluírem que estamos vivendo uma “época de mudanças”.  Essa simplificação da realidade costuma levar ao lugar comum de que “a única coisa permanente é a mudança”, o que produz uma certa dose de acomodação, como se fosse parte de um destino inevitável. Prefiro acreditar que atravessamos uma “Mudança de Época”, em vez de simplesmente uma “Época de Mudanças”.

Tanto as oportunidades quanto as dificuldades que surgem em momentos como esse devem ser enfrentadas com soluções inovadoras, corajosas, com uma nova forma de olhar e perceber a realidade. Na se trata apenas de melhorar o que existe, de aperfeiçoar de forma incremental o pensar e de ajustar o agir a uma nova realidade. Trata-se de reinventar o pensamento e a ação.

Os conceitos de Liderança, tal qual os conhecemos hoje, estão com os dias contados. Os velhos e surrados atributos do que era considerado um líder eficaz, foram concebidos para uma realidade que já não existe mais.

Dentro dessa nova moldura,  ouso propor que precisamos evoluir do modelo  herdado da Era Industrial, o Líder 1.0, cujo  modelo mental dentro do qual fomos educados nos levou a acreditar que:

• Liderança é sinônimo de cargo, posição social, dinheiro e, até mesmo, tempo de serviço.
• Liderança é uma arte, apenas para pessoas visionárias, bem informadas.
• Liderança é inata, pois alguns já nascem com este “dom”.
• Existe um estilo ideal de liderança, que as pessoas devem procurar praticar.
• Líder competente é quem possui seguidores leais.
• Lídereres competentes inspiram pelo carisma e pela hierarquia, pois “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Formas de pensar e agir como essas fazem com que o potencial de liderança dentro das empresas não seja devidamente aproveitado, enquanto muitas pessoas perdem oportunidades de sucesso na carreira. Certa vez ouvi, durante um evento sobre Equipes de Alta Performance que eu conduzia, o desabafo de uma jovem assessora que se recusou a assumir uma nova responsabilidade na empresa onde trabalhava: Agradeço de coração, mas eu não quero ser líder. Eu não nasci para ser líder!

Esse é o mundo da Liderança 1.0, baseado no binômio “comando e controle”, cujo modelo não se sustenta mais. Seus alicerces estão ruindo. Tem ficado cada vez mais evidente, por exemplo, que o líder baseado apenas no carisma é uma espécie em extinção, pois o líder competente precisa ter conteúdo. Também pouco importa em qual quadrante o seu estilo de liderança se encaixa e qual a sua distância do estilo ideal, pois não tem dado certo fingir ou tentar ser quem não somos.

Você não precisa ser gerente ou diretor de empresa para ser líder, pois todo pai ou mãe de família é líder, assim como um professor, um estudante. Outro aspecto cada vez mais desmistificado: o líder não nasce pronto, pois a gente aprende a ser líder. E, finalmente, a liderança não é exercida apenas por homens ou por adultos, pois na vida real é também exercida com competência por mulheres, crianças, adolescentes e por pessoas de ampla diversidade social e cultural.

Mas, apesar de sabermos que o modelo do Lider 1.0 já não funciona mais, uma nova forma de pensar e exercer a liderança ainda não se faz presente com a intensidade que é necessária. Precisamos reinventá-la!

Por César Souza (presidente da Empreenda, empresa de consultoria em estratégia, marketing e recursos humanos, além de autor e palestrante)

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