Disposição para a boa liderança

Noel Tichy, para www.hsm.com.br

Um bom líder tem que ter disposição para ensinar e aprender, tem que se exercitar com a prática das atividades de campo e tem que ter um ponto de vista transmissível e que agregue valor

Manhã de um dia qualquer. O gerente da unidade, depois de fazer a leitura rápida de alguns jornais e clippings, conecta-se a alguns programas e a algumas janelas em seu laptop e… pronto! Está virtualmente ligado às suas equipes e aos seus supervisores. Com isso, conseguirá acompanhar tudo, gerenciar tarefas e comandar as suas equipes, atuando apenas de forma remota, sem precisar deslocar-se muito de seu lugar. Parece estar sendo um bom líder, certo? A resposta é: não necessariamente!

Embora esse cenário reflita muito do que acontece hoje em dia, para ser um bom líder é preciso ter boas idéias, ter crenças e valores fortes e sair “fora da caixa”, literalmente. Sair a campo, visitar as áreas in loco, conhecer o “chão de fábrica”, os balcões de venda, as comunidades próximas ou que são impactadas pelas atividades ou pelos produtos e serviços da empresa, e assim por diante. Quem nos ensina isso é Noel Tichy, considerado um dos maiores especialistas globais em desenvolvimento de lideranças e palestrante do Fórum HSM de Gestão e Liderança 2010, realizado nos dias 6 e 7 de abril.

Três pontos principais foram enfatizados pelo professor Tichy sobre a essência da boa liderança.

1 – A maior parte do aprendizado para as pessoas ocorre em ação, não em gabinetes ou em sala de aula. Como acontece, por exemplo, com os médicos recém-formados que passam pelo processo de residência. O bom líder tem que sair pelo mundo, andar pelos corredores, visitar as unidades, acompanhar ou atuar em projetos reais, contribuir presencialmente para a reconstrução ou o desenvolvimento de comunidades, e por aí vai. O líder tem que mobilizar as pessoas, e dar o exemplo é meio caminho andado.

2 – Um líder é responsável pelo desenvolvimento de líderes da próxima geração. Segundo Tichy, é muito melhor o próprio líder ensinar valores, conceitos e práticas aos demais funcionários do que a empresa contratar professores e consultores. Um exemplo é Roger Enrico, CEO da Pepsico, que manteve o hábito de ensinar e difundir, a vice-presidentes da empresa, fundamentos estratégicos, valores, crenças e posicionamentos.

3 – O líder tem que ter um ponto de vista transmissível, que agregue ideias, valores, uma boa dose de energia emocional e julgamento de bom senso.

As principais decisões tomadas pelos líderes giram em torno de três eixos: Pessoas, Estratégia e Crises. Nessa ordem! Afinal, se você não tiver uma boa equipe, com pessoas motivadas e comprometidas, não há como estabelecer uma estratégia adequada. E, sem pessoas engajadas e sem uma estratégia definida, como gerenciar um processo de crise?

Numa avaliação de decisões certeiras e decisões erradas, Tichy conta que a maioria das más decisões refere-se a pessoas, que representam o foco principal. Para tomar e concretizar uma boa decisão, um líder tem que ser “dono” de todo o processo relacionado a uma ação ou um projeto. Isso envolve a fase de preparação, a decisão propriamente dita e a fase de execução.

Para tanto, tem que captar e ler os sinais e o cenário à sua volta, estabelecer objetivos e parâmetros claros, identificar e mobilizar os stakeholders, aproveitar as melhores ideias, dar suporte à equipe e se envolver, com forte desejo de crescer e de transformar aprendizados em práticas. E, também, o líder tem de trabalhar de forma ética e prezando a integridade (esquemas como a pirâmide de Bernard Madoff devem ser execrados).

Para saber se sua liderança está fracassando, faça a si mesmo, sempre, cinco perguntas básicas:

1) Como está o seu desempenho? E como está a credibilidade de seu desempenho?
2) Seu foco são os fundamentos da execução da ação ou do projeto?
3) Você recebe más notícias regularmente?
4) O conselho de administração da empresa está atuando como deveria?
5) A sua equipe está descontente?

A boa liderança aglutina planejamento, execução, finanças, marketing e contabilidade. Com forte contribuição de disposição para ensinar e aprender, e uma grande curiosidade para tudo.

Assim, de forma resumida, podemos dizer que os bons líderes:
– Têm que ter disponibilidade para ouvir pensamentos alheios.
– Têm que fazer autorreflexão, sempre.
– Devem trazer e impulsionar mudanças.
– Têm que desenvolver outros líderes.
– Têm que gostar de gente.
– Devem se doar para outras pessoas e para a comunidade.

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