Desenvolver a criatividade na gestão

por João Carvalho das Neves, em www.dn.pt

Lateral thinking foi um termo criado por Edward de Bono e tem por base quebrar com conceitos e ideias preconcebidas que limitam a criatividade, a inovação e a resolução de problemas. Esta perspectiva tem a ver com o facto de o lado esquerdo do cérebro controlar fundamentalmente as actividades de lógica e verbais e o lado direito ser o centro da intuitividade, da não verbalidade e da percepção geral. Infelizmente o nosso sistema de ensino ignora o desenvolvimento do lado direito do cérebro e enfatiza essencialmente o lado esquerdo.

Estudos empíricos têm evidenciado que a meditação (zen, chi- -kung ou outra) desenvolve a actividade esquerda do cérebro e, consequentemente, desenvolve a sen- sibilidade, a criatividade, a resolução intuitiva de problemas e gera uma sensação de calma e consciência perceptiva das decisões.

Veja em que circunstância toma melhor as decisões? Quando está “stressado” ou quando está com calma e consciente das diversas variáveis em jogo? Não será disso que precisamos na gestão? Criatividade, iniciativa, intuição e consciência plena de que a organização segue no rumo certo?

Libertar o cérebro de pensamentos é importante porque assim fica-se livre para receber mais informação e lidar de forma conveniente com as tarefas do presente. Conta uma lenda do zen que dois monges caminhavam em direcção ao seu templo e tinham de atravessar uma ribeira. Na margem da ribeira estava uma jovem e bela mulher que hesitava em atravessar porque não queria molhar-se. Um dos monges decidiu pegar na jovem ao colo e atravessar a ribeira. Chegado ao outro lado, pousou-a no solo, fizeram entre eles a saudação (ritsu-rei) e cada um seguiu o seu caminho. À noite, o outro monge comentou com o primeiro que este tinha violado um dos princípios da ordem a que pertenciam porque aquele tinha tocado numa mulher, ao que o outro respondeu: “Estranho, há oito horas atrás peguei numa mulher ao colo, ajudei–a a atravessar a ribeira e deixei-a junto à margem, mas tu continuas a pensar nela.”

A mente é assim mesmo. Quantos de nós não somos incapazes de descarregar os fardos que temos e, consequentemente, acumulamos tensões durante anos e anos… Esse conjunto de pensamentos geram stress e acabam muitas vezes por bloquear a capacidade de decisão. Para ver claro é preciso sair do problema e ter uma perspectiva límpida. Quando se lançam pedras sobre um lago, cria-se ondulação e a água pode ficar turva. É preciso, então, deixar que o mesmo acalme para que se possa voltar a ver o fundo com clareza. O mesmo se passa com a mente, ela tem de acalmar para que consigamos ver com clareza o caminho e as consequências das nossas decisões. E isso é fundamental para o sucesso das organizações.

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