Como sair do armário e reinventar seu modelo de negócio?

por Alexandre Mota em revistabpmbrasil.com

Alexandre Mota é empreendedor especialista em desenvolvimento de sistemas e produtização de software. É diretor executivo da Intraflow Tecnologia

Sabe quando você se dá conta de que precisa mudar e dedicar mais tempo aos filhos que ama do que a colegas de trabalho insuportáveis? É sinal de que você percebe que está no meio de uma crise de modelo de negócio que o mundo inteiro vive. Particularmente, há alguns anos estive nos EUA em um congresso e conheci pessoas que trabalhavam boa parte do tempo em casa, em cafés e até na praia, e mesmo assim dirigiam empresas globais, marcas poderosas e inspiradoras. Na época, minha carga de trabalho chegava a 16 horas diárias, com viagens semanais, e gastava boa parte do meu tempo tentando motivar pessoas que não queriam mais trabalhar comigo.

Mas como mudar toda a lógica de trabalho conhecida? Como reinventar os negócios? Meu caminho foi aproveitar justamente enfrentar um problema comum às empresas de tecnologia: a falta de mão de obra. Minha empresa desenvolve software sob medida, e encontrar bons programadores não é tarefa fácil. Mas existem grandes programadores que não querem cumprir horário, não querem ir até a empresa, embora queiram e precisem trabalhar. Foi aí que decidi recriar o negócio. Hoje, a maioria dos programadores nunca vão ao escritório. Horário de trabalho, cada um faz o seu. E o nosso trabalho é juntar o que eles produzem e atender os clientes.

Mas chegar a este modelo de sucesso não foi simples. As pessoas têm enorme capacidade de se adaptar a novos ambientes, o que pode ser uma grande vantagem, mas também uma armadilha. Tivemos uma era pós-industrial, mas ainda estamos com a cabeça na era industrial. Por séculos fomos condicionais a um modelo sádico de controle sobre tudo e todos: hora de entrada e saída, meta disso, meta daquilo, controle de receitas, controle de despesas.

Organizações não proporcionam ambiente fértil para pessoas criativas e inovadoras

Empresas reclamam que não têm mão de obra disponível porque, na sua essência, não praticam o que dizem. Vendem a idéia de empresas modernas, mas, na realidade, praticam modelos antigos. O sujeito entra com todo o gás e logo é pasteurizado por um modelo baseado em controles e mais controles. A maioria das organizações quer pessoas criativas e inovadoras, mas não proporciona um ambiente fértil para isso.

Sabemos muito bem como organizar o trabalho braçal, mas muito pouco sobre como organizar o trabalho intelectual, sobretudo o criativo. Para organizar o trabalho físico, podemos nos apoiar na extensa bibliografia existente. No entanto, não sabemos como lidar com este novo modelo de trabalho que se apresenta.

A maioria dos escritórios tem aparência de hospitais ou indústrias, com mobiliário padronizado e políticas de RH antiquadas. Na sociedade industrial, quanto mais tempo passávamos no local de trabalho, mais se produzia. Na sociedade do conhecimento, esta regra cai por terra. Ideias não são partes da linha de montagem, e quantidade não é qualidade.

Em muitas organizações se consome mais tempo dos colaboradores em articulações internadas e burocracia do que produzindo. Tenho percebido um movimento enorme de profissionais corajosos, saindo de sua zona de conforto e empreendendo. Esses profissionais têm abandonado carreiras bem-sucedidas e se aventurado para trabalhar em espaços de coworking que estão crescendo em todo o mundo.

Trabalhar fora do escritório e mudar os ares estimula a criatividade e o bem estar. Trabalhar na praia, na cafeteria ou viajando por outro país já é uma realidade. Os profissionais que fazem isso são mais bem remunerados, mais felizes e produtivos e têm muito mais conteúdo a oferecer do que os profissionais pasteurizados por modelos antiquados.

Quem não mudar vai ficar olhando o trem passar

Você pode pensar que o discurso é bonito e atraente, mas difícil de ser praticado. Afinal, como enfrentar essa realidade, o modelo de negócio e até de vida? Em primeiro lugar é preciso uma boa dose de coragem, principalmente para driblar o preconceito que muitos executivos têm para lidar com a diversidade de modelos atuais. Assumir que sua empresa é mobile e que você não precisa de um escritório físico enorme é o primeiro passo. Usar a tecnologia e ter um processo de trabalho claro é o item de maior relevância nesta transformação.

Por mais que tenhamos uma série de ferramentas disponíveis para apoiar os novos modelos, poucos profissionais usam este ferramental de forma produtiva. Planejar e modelar um processo de trabalho claro e conhecido por todos os colaboradores e parceiros de negócios é outro item de extrema importância. Equacionando esses pontos, podemos iniciar uma jornada de trabalho mais feliz e produtiva.

Muitas empresas estão sofrendo com essas mudanças irreversíveis. Algumas estão ajustando seus modelos de negócio neste momento, outras estão se lamuriando de que “não há mão de obra no mercado”. As que estão reclamando vão continuar assim, porque esse caminho não tem volta. O mundo mudou. Quem não mudar vai ficar olhando o trem passar.

Eu já mudei, e você?

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